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Resenha: “Suicidas”, de Raphael Montes

Os livros de Raphael Montes foram indicados a mim por um colega de trabalho e comecei lendo Dias Perfeitos, um romance muito bom, mas com um final um tanto clichê – que funcionou bem para a trama.

 Já em Suicidas, o clichê passa longe. O romance foi escrito quando o autor tinha 20 anos e foi finalista dos prêmios São Paulo de Literatura e Biblioteca Nacional Machado de Assis, sendo este seu primeiro livro.

 A história retrata nove jovens de classe média-alta do Rio de Janeiro, que se suicidam em um jogo de roleta-russa, no porão de um sítio (a Cyrille’s house), com uma arma e com nove balas apenas, uma para cada participante. Temos Alessandro, o protagonista estudante de direito, mas que na verdade queria ser escritor, que é a peça central, pois foi através das anotações dele e do livro do dia do suicídio que o caso voltou a ser investigado pela delegada Diana.

 Na história temos três tempos e perspectivas diferentes: o presente, com a delegada reunindo as mães dos suicidas para a leitura de uma nova prova encontrada, o livro de Alessandro, o livro que o jovem mesmo morto gostaria que fosse publicado;  antes do suicídio, com anotações em diários de Alessandro sobre sua rotina de faculdade, festas, amigos…; e o dia do suicídio, que é o livro que Alessandro escreve desde o momento em que eles se dirigem a Cyrille’s house para o ato.

 Todos os personagens em si estão muito bem interligados e foram muito bem apresentados e estereotipados, o que era algo muito comum há alguns anos atrás, na década de 90 e nos anos 2000 ainda havia muitos resquícios de jovens sendo estereotipados como no livro. Isso é positivo pois nos fazem crer que são pessoas reais das quais tivemos convivência em algum momento de nossas vidas, com medos e inseguranças como eu e você e o mais importante, cada um deles tem seu próprio motivo, que é revelado ao longo da história, por estar em uma “brincadeira”, onde sabem que todos vão morrer.

 Ao longe da leitura, precisamos ir interligando todos os pontos de todos os três tempos e perspectivas apresentadas. Além dos personagens já citados, temos suas mães em uma reunião com a delegada e a reação de cada uma ao descobrir como o filho ou filha acabou morrendo. Nas anotações dos diários de Alessandro –antes do suicídio– temos as “pistas” jogadas e todas as incertezas são criadas a partir destas anotações. Já no livro do dia do suicídio temos todas as perguntas respondidas e todas as máscaras dos nove jovens começam a cair e eles começam a mostrar seus verdadeiros “eus”, que não mostrariam se não estivessem trancados e passando por uma situação extremamente tensa. Os temas como assassinato, perda de um ente querido, depressão, suicídio, sexualidade, estupro, homofobia e classes sociais é bem retratado, pois vem de uma maneira leve, mas ao mesmo tempo exposta a ponto de conseguirmos notar facilmente.

 Ao fim do livro temos uma ótima sacada literária de Raphael Montes e finalmente a resposta para todas as perguntas criadas. Pessoalmente, achei a história muito criativa e nova, algo que dificilmente se vê por aí, então se você gosta de romances policias e de um bom suspense, este livro tem que estar na sua estante.

 

Nome: Suicidas

Autor: Raphael Montes

Ano: 2012

Páginas: 488

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