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Resenha: “Dias Perfeitos”, de Raphael Montes

História de um romance ou história de um psicopata?  Até onde uma pessoa é capaz de ir para conquistar seu grande amor? Conheça o livro de Raphael Montes!

Dias perfeitos narra a história de Teodoro, um jovem rapaz carioca de 20 anos, estudante de medicina. Aparentemente, nada de estranho com ele. No entanto, logo nas 50 primeiras páginas do livro temos um leve indício que algo não esta certo com esse jovem: ele é apático à vida humana (ou qualquer outra vida) e se importa somente com sua melhor amiga, Gertrudes, que é um cadáver do laboratório da faculdade de medicina, com quem ele tem os melhores diálogos (o silêncio) de sua vida.

Logo com isso podemos perceber que ele tem os traços perfeitos de um psicopata, relembrando que médicos estão no top 5 das profissões das quais mais tem psicopatas (oi Hannibal Lecter), e a construção do personagem não poderia ser mais perfeita, foi simples, sutil e deu conta do recado, sem deixar qualquer gafe escapar.

Os pais de Teo sofreram um acidente de carro, onde seu pai chegou a falecer e sua mãe a ficar em uma cadeira de rodas. Os dois passam a viver da pensão deixada pelo pai de Teo os possibilitando ainda ter algum luxo.

Logo a vida do jovem que era monótona muda, ele conhece Clarice, uma jovem de 26 anos que estuda e quer ser roteirista de cinema, em um churrasco (do qual ele não queria ir) e ela com todo seu jeito largado e despreocupado chama a atenção de Teo, que desenvolve por ela uma paixão obsessiva no minuto em que ele deixa a festa.

Além de coletar todas as informações sobre Clarice, Teo começa a segui-la para aprontar um encontro repentino (que não seria repentino já que ele a segue pra todo lado), e seguindo a moça descobre vários costumes e coisas na vida dela das quais ele não gosta e repudia, mas Clarice não faz ideia do que a aguarda e quando ela da à primeira brecha para Teo entrar em sua vida ele a sequestra. Após dopá-la, ele decide que irá viajar com ela e que assim ela terá tempo para ver que gosta dele e eles viverão seus DIAS PERFEITOS.

Dias perfeitos para Teodoro e dias de agonia para nós leitores e para Clarice, que passa os dias da a mercê de um amor doentio e psicótico.

Os personagens do livro foram muito bem construídos e estruturados, e Raphael Montes não deixou escapar nenhuma falha no enredo, a importância de Teodoro estar estudando medicina se mostra quando ele consegue as drogas para dopar Clarice, cuidar de todos os ferimentos que ela adquire na viagem (já devem imaginar o porquê) e como ele é bem meticuloso ao desmembrar e desovar corpos ao longo da viagem (e como um bom psicopata, ele fica com um suvenir de sua vitima). A importância de ele morar apenas com sua mãe que é paralitica se dá quando ele leva Clarice desacordada para sua casa e para os fatos de que a mãe não consegue fazer tudo sozinha, tardando assim muitas das comunicações entre eles e todas as possíveis descobertas que uma mãe possa fazer a respeito de seu filho. A construção do personagem não poderia ser mais perfeita, foi simples, sutil e deu conta do recado, sem deixar qualquer gafe escapar.

Quanto à família de Clarice, rica e conservadora, o oposto da jovem, também ajudou no enredo, visto que eles não ficaram preocupados com  a jovem quando o ex-namorado some e não se importam muito em manterem uma comunicação com ela. Os pais e principalmente a mãe de Clarice acabam se envolvendo mais com eles nesta viagem, mas acabam gostando de Teodoro, sem saber do mostro que ele realmente é.

O final do livro, não é um dos mais diferentes ou surpreendentes, mas funcionou perfeitamente no contexto de toda história e no contexto de nos deixar com uma raiva mortal de Teodoro.

Título: Dias Perfeitos

Autor: Raphael Montes

Editora: Cia das Letras

Páginas: 280

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Amante de Sherlock Holmes e viagem no tempo, de vez em quando escreve uns textos por aí.

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