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Resenha: A Árvore dos Anjos, de Lucinda Riley

“A narrativa nos envolve de tal maneira que fica impossível ler apenas mais um capítulo”. Conheça A Árvore dos Anjos, de Lucinda Riley!

 Greta Simpson, a pedido do seu querido David Marchmont, aceitou o convite para passar o Natal no Solar Marchmont, que um dia havia sido sua casa, com sua família, ambos dos quais ela não possuía nenhuma lembrança.

 A aquiescência de Greta quanto ao convite, se deu em parte, pela insistência infindável de David em retomá-la a uma vida social, mas principalmente, pelo medo da solidão, por mais um Natal solitário. Entretanto, voltar ao Solar se torna um desafio, pois despertará em Greta, sentimentos e lembranças que pareciam apagados após o seu acidente, e que, por todos eram vistos como impossíveis de reaparecerem.

 Assim como a personagem, somos defrontados com um passado nebuloso e extremamente perigoso. A cada nova descoberta, sentimentos são postos a prova. E quanto mais fundo vamos adentrando a essa história, mais sombrias e obscuras se tornam as revelações. Temos a sensação de pisarmos em um solo bastante irregular e arenoso, capaz de nos engolir a qualquer momento.

            “[…]Ela parecia uma mariposa, atraída de modo incorrigível para uma chama de velas que inevitavelmente a destruiria.”

 A obra nos apresenta um conflito entre três gerações de uma família, e iniciamos pela história de Greta. A personagem era muito jovem ainda, quase uma menina, quando arriscou-se na cidade de Londres, indo em busca do seu grande sonho. E, apesar de muito madura ainda jovem, a personagem acaba fazendo escolhas muito ruins, que geram consequências que ela jamais poderia prever, e que mesmo assim, ainda a vemos persistir em certos erros.

 David Marchmont é um encantador comediante, meio galês, meio britânico, que logo de início, arrebata nosso coração (se tornou o meu “crush” literário mais amado). Laure-Jane é a mãe de David e uma mulher incrível, que não parece envelhecer nunca. E Mary é a ajudante doméstica mais compreensiva e atenciosa que existe.

 Lucinda Riley se superou na ambientação da história. A escritora não só dividiu a história em dois tempos, passado e presente, como também em duas localidades. A obra no passado, apresenta-se logo após a segunda guerra, até chegar ao presente, Natal de 1985, mas sempre intercalando os tempos. Há também a interação entre a badalada cidade de Londres, na Inglaterra, e o calmo interior de Abergavenny, no País de Gales.

 A Árvore dos Anjos nos fala sobre amor. Um amor incondicional, que ultrapassa o tempo e até mesmo, a vida. Somos apresentados ao amor em todas as suas formas, e como o amor pode nos despertar para os sentimentos mais desafiadores, como a superação e o perdão, e também aqueles que nos levam ao extremo, como a culpa, o orgulho e a possessão. “A loucura do amor.”

            “[…] O amor é uma coisa muito estranha, Cheska. Ele pode modificar sua vida e leva-la a fazer coisas que, à luz fria do dia, você saberia que estavam erradas.”

            Mas, além do amor, a autora do livro nos apresenta também, situações corriqueiras do dia-a-dia, que muitas vezes, distantes de nossa realidade, nos passam quase que por despercebidas. Temas como alcoolismo, assédio infantil e esquizofrenia, são inseridos no livro, dentro do ambiente familiar, o que nos deixa ainda mais desorientados.

 A obra despertou em mim sentimentos muito conflitantes. Desejei inúmeras vezes, estar na história e impedir que algo acontecesse. Em uma hora desejava jogar o livro pela janela e não ler nunca mais. No outro, roía as unhas apreensiva pelo que viria, ignorando quem tentasse atrapalhar minha leitura.Acredito que essa experiência bipolar não foi compartilhada apenas por mim.

 A escrita da autora nos arrebata. A narrativa nos envolve de tal maneira que fica impossível ler apenas mais um capítulo. Ao ler a obra, me senti diversas vezes como Alice, entretanto, ao contrário dela, não me encontrava no País das Maravilhas, longe disso! Me encontrei envolta numa história cheia de mistérios e surpresas, quase sempre não tão boas. Todavia, ainda que tenha sido gratificante ter vivido essa peripécia com a leitura, em alguns momentos, foi extremamente cansativo. Dado que a história aborta assuntos que são bastante pesados, ocasionalmente me sentia extremamente exaurida e irritadiça, ao ponto de precisar parar e diversificar minha atenção, para prosseguir.

 A Árvore dos Anjos é um maravilhoso livro de romance, que nos envolve em um clima de amor, amizade, superação, culpa e orgulho. Para quem gosta do gênero, vale se aventurar por essa leitura, sem riscos de arrependimento. Uma leitura surpreendente e apaixonante.

 

Título: A Árvore dos Anjos

Autora: Lucinda Riley

Editora: Arqueiro

Páginas: 496

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Uma futura bióloga, perdida em livros e apaixonada por escrever.

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