urlhttp1.bp_.blogspot.com-I3XasqsTJEEVPihSH9MdeIAAAAAAAAEBAAgmI0SCyMe8s1600ENTREVISTA

[Entrevista] Grupo Estoriadores!

 Nas ultimas semanas, a coluna É nacional! foi tomada pelo grupo Estoriadores – um grupo formado por escritores e blogueiros. Conhecemos o grupo em um evento na Livraria Martins Fontes Paulista, ano passado, e simplesmente adoramos tanto o grupo, como as obras que eles apresentaram. 

 Hoje, tendo em vista que já comentamos sobre as obras dos participantes, iremos liberar nossa entrevista! Confira:

————– Autores ————– 
Rodrigo Mendes – Atemporal 
Já lhe ocorreu escrever algo fora do gênero que já escreve?
 Ainda penso em muita coisa na área de literatura policial, mas tenho vontade de me aventurar na linha da fantasia também.. talvez uma fantasia policial. 
O que você acha de manter “uma meta de escrita diária”? Seria realmente bom “se auto obrigar” a escrever todos os dias?

Acho que a intenção é boa.. mas na prática, é difícil.. escrever tem muito a ver com inspiração.. e se você não está inspirado naquele dia, é melhor não forçar, pra não sair algo ruim.
Quais os prós e contras de uma publicação independente? Pode ser considerada “melhor” que a publicação por meio de uma editora?

Prós: para um primeiro livro, o investimento normalmente é menor. E o retorno, ou o lucro, é maior. Além disso, você é responsável por toda produção, então você tem mais liberdade para, por exemplo, fazer a capa que você quiser.
Contras: você vai ter que correr atrás da divulgação, e principalmente, da distribuição. Vai ter que ir em cada livraria, de porta em porta, e negociar com o proprietário os termos pra deixar seu livro em consignação. O alcance é muito menor.
Além disso, tem que pensar na revisão, que tem que ser bem feita
Com relação a ser melhor ou pior.. Varia.. Tem editoras que não fazem um trabalho muito bom, e o livro fica ruim, com uma revisão ruim e uma capa ruim… E tem autores independentes que fazem um ótimo trabalho.. então é relativo.
Quais dicas você pode passar para os novos autores?
Primeiro, ser paciente. Trabalhar na história com calma, revisa-la várias e várias vezes. Em seguida registrá-la na Biblioteca Nacional, para garantir seus direitos. Depois, o ideal seria envia-la para leitores beta ou um leitor critico profissional. Uma visão de fora pode ajudar a encontrar furos, erros de continuidade, ou mesmo algo que não esteja bacana. Somente divulgar, publicar ou enviar para alguma editora depois de uma boa revisão. E principalmente, não perder a fé. 
O que te fez optar por esse gênero de escrita?
Fantasia é o gênero que mais gosto de ler e assistir. Séries, filmes, desenhos, livros… Chamam minha atenção quando tem algum ser fantástico envolvido na trama. Então foi natural começar pelo gênero que mais conheço. 
Assim como os livros estrangeiros, os nacionais possuem uma variedade enorme de gêneros. Por que, então, muitos leitores que dizem não ler livros nacionais, usam como argumento o fato de “não gostarem dos gêneros de livros nacionais”?
Normalmente quando alguém diz que não gosta de livros nacionais, livros brasileiros, é por que leu apenas os clássicos na escola e não conhece os autores novos. Ou então até leu um autor novo, mas não gostou, ai generaliza e não lê mais nenhum. Eu acredito que quando esses leitores encontrarem no meio literário nacional um livro que os façam se apaixonar, esse preconceito irá cair por terra. Pois ele lerá outros livros nacionais de mente aberta e esperando coisas boas, ao contrário de só ver o lado negativo ou ficar procurando erros ou furos na história.
John Fellix – Broken Heart
Entre escolha da capa, sinopse, sua biografia e título, qual foi a maior dificuldade? 

Capa, definitivamente. E olha que sou péssimo em criar sinopse, normalmente tento fazer algo sempre claro, só que sempre fica misterioso ou confuso de mais. 
No primeiro livro a biografia fui eu que fiz, mas a partir do segundo livro optei por ser feita por outra pessoa.  Já o titulo do livro é algo que particularmente acho que tem que ser definido assim que a ideia para a historia vem. Mas nada é tão complicado quanto a escolha da capa. 
Primeiro você imagina 300 coisas diferente, e quando fecha com um capista eles incrivelmente conseguem lhe dar mais 300 opções incrivelmente diferentes e divina. Ai escolher apenas uma é quase impossível. Escolher capa é a coisa mais gostosa e torturante que existe. 
O que você definiria como sua “fonte de inspiração”?

Música, livros, filmes, momentos e pessoas. – É difícil falar que tenho apenas uma fonte de inspiração, tudo me encanta. Sou apaixonado por música, quem já leu algo que escrevi vai perceber que sempre coloco alguma referencia. Quando digo momentos é referente as minhas experiências, uso muito delas na hora de criar algo. Mas se for focar apenas em um sentimento com certeza seria Amor, pois ele consegue levar você a todos os extremos. A aflorar seu lado mais puro, ou seu lado mais sombrio. 
Há um pouco de você nos personagens?
Sim. Muito. 
E para mim esses autores que falam que não, são tudo hipócritas. É impossível escrever sem se colocar no personagem, na historia no livro. Você está escrevendo, então você esta sentindo, você está ali, é você. Claro que nem todos os personagens são alter egos meus, alguns foram levemente baseados em pessoa que eu conheço, conheci ou que tenho vontade de conhecer. Mas isso de autor falar que “não tem dele no livro ou personagem é balela.”
Wilson Santos – O Amor de Deus
Qual é a principal dificuldade em ser um escritor nacional?

Os obstáculos são muitos. Ainda é muito caro publicar livros no Brasil, temos pouco investimento nos autores nacionais e muitos leitores ainda desconhecem a qualidade das nossas obras, pois têm como referência as leituras obrigatórias dos clássicos na escola. Nossa literatura, comparada às obras que vêm de fora do país, não deixa a desejar em nenhum gênero.
Para a maioria das editoras, do ponto de vista comercial, é melhor investir em “estrangeiros” que são garantia de vendas porque já estão fazendo sucesso lá fora. Algumas editoras grandes estão começando a investir nos nacionais, mas de forma ainda bastante contida.
O bom é que tudo isso está melhorando, aos poucos, mas está. Graças à união dos autores, ao trabalho sensacional dos blogueiros e as facilidades das redes sociais.
Muitos autores optam por lançarem suas obras de forma independente. Por quê? Trás um “retorno” melhor?

É difícil conseguir uma editora. E mesmo quando há interesse por parte de alguma em publicar uma obra, o investimento que o autor precisa fazer é alto. Daqueles que investem, muitos se frustram por não ter sua obra tão divulgada como esperado ou por não ter informações precisas sobre o andamento da divulgação e distribuição de seu livro.
Diante dessas dificuldades, lançar de forma independente tornou-se a opção mais palpável para ver sua obra publicada. Não deixa de ser uma boa escolha, dependendo dos objetivos do autor. Entendo que é uma forma de começar a divulgar o trabalho, despertar o interesse dos leitores e até mesmo das editoras, ao perceberem que aquela obra independente está se destacando.
Hoje temos muitas editoras pequenas focadas em trabalho independente, com edição sob demanda.
Quais dicas você pode passar para os novos autores?

Invistam na qualidade editorial de suas obras. Para entender melhor, sabe aquela ótima piada que mal contada não tem graça? Você pode ter uma história brilhante, mas se não for bem estruturada, não se enquadrar nos padrões que as editoras exigem, jamais será publicada. 
Temos muitos cursos de estruturação de romances, de escrita, de técnicas voltadas para autores, inclusive, de como apresentar seus originais para editoras. Então invistam no seu talento. Não é um caminho fácil. Não se iludam com o glamour dos eventos literários, eles são a parte fácil da jornada. Autor precisa trabalhar muito, investir muito, e amar o que faz. Tudo isso é recompensado quando recebemos as muitas formas de carinho do leitor, o que motiva e faz valer a pena.

O prazer em escrever deve vir primeiro. Sucesso é só uma consequência. Sejam perseverantes

Marina Salla – Tatuagem

O que você escreve/pretende escrever vem de você, ou você gostaria de se adaptar a moda, ao que as pessoas andam lendo?

Sempre vem de mim. Muitas vezes as pessoas acham que certos autores seguem uma moda, mas às vezes é só vontade de escrever sobre aquele tema, ou ficam inspirados por algo que está em moda, mas falando por mim sempre vem do que eu quero.

Quando começou a escrever o livro, já pensava em publicá-lo?

Não, eu não fazia ideia de que alguém ia ler ele um dia! XD

Qual é a melhor coisa em ser escritor?

A melhor coisa em ser escritor é que você nunca está sozinho, você tem sempre seus personagens pululando na sua cabeça sem te deixar em paz – algumas vezes isso é ruim, mas é o que eu gosto mais.

————– Blogueiras ————–
Verônica Inamonico – Only The Strong Survive
Os blogueiros são importantes para um escritor? Por quê?

A relação entre blogueiro e escritor é muito importante para que o autor possa ter um canal mais próximo com seus leitores para divulgar sua obra, contando com a divulgação do blogueiro e também com a sua opinião que, no meu caso, deve ser sempre a mais honesta e construtiva possível. Além do autor ter um maior alcance de público com o trabalho do blogueiro, do que apenas com a própria editora e dele mesmo, ele também tem ali uma avaliação que poderá ajudá-lo a rever sua obra e melhorá-la cada vez mais.
Qual é o segredo para conquistar leitores fiéis?

Acredito que o maior segredo para conquistar leitores fiéis seja a variedade. Embora os blogueiros, como leitores, estejam dispostos a falar sobre aquilo de que mais gostam, seja de livros de um gênero ou de outro, quanto mais eles variarem, melhor será para o público. Aqueles que acompanham o blog porque gostam de determinado assunto passarão a se interessar por outros, assim como esse leque de possibilidades atrairá novas visitas de pessoas que continuarão com o blog por ter encontrado algo de que gostam e por estarem dispostos também a conhecerem coisas novas.
O blogueiro deve estar sempre disposto a arriscar e se surpreender, pois, uma vez compartilhada essa experiência, incentivará seus leitores a tentar novas leituras que podem ter passado despercebidas por eles.
Mariana Baptista – Sem Querer Me Intrometer
Existe diferença entre apenas se tornar escritor e se tornar escritor já sendo blogueiro?

Acredito que sim. Quando decidi publicar meu livro, já tinha bastante informação sobre o mercado editorial devido aos contatos que sempre fiz como blogueira. Além disso, o Sem Querer me Intrometer me deu a oportunidade de conhecer muitos autores e editores, e isso fez toda a diferença para conseguir a publicação do meu livro.
Você, como blogueira, faz distinção entre autores nacionais e estrangeiros? Qual é a sua opinião sobre os que fazem?
Não. Esse é um preconceito que o blog com certeza quebra. Aliás, como blogueira, até prefiro ler obras nacionais para poder ter maior contato com o autor e criar um conteúdo mais interessante para meus leitores. Acredito que blogueiros que ainda não adentraram no mundo da literatura nacional devem começar AGORA! hahaha Esse preconceito existente é completamente irracional. No Brasil temos muitos escritores extremamente talentosos que merecem ser lidos.
Incrível o/ Acompanhe o grupo pelo Facebook!
Por Flávia Bergamin

comments

Amante de Sherlock Holmes e viagem no tempo, de vez em quando grava uns vídeos para o youtube.

2 Comments

  1. Adorei a entrevista!!
    Ficou muito legal!! Parabéns pela iniciativa. bjs

  2. Flavia, obrigado pela divulgação de nosso trabalho!
    Iniciativas como a sua contribuem muito para que a literatura nacional seja mais conhecida. Ficou sensacional!
    Beijos. <3

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